Agregação de valor é o caminho para aumentar a rentabilidade das exportações, apontam especialistas

27 out Agregação de valor é o caminho para aumentar a rentabilidade das exportações, apontam especialistas

fórum dos grandes debates

Foto: Mariana Carlesso/ALRS

O ex-ministro da Agricultura Francisco Turra abriu o painel Novos Mercados – Brasil Eficiente e Competitivo da 6ª edição do Fórum dos Grandes Debates da Assembleia Legislativa na tarde desta segunda-feira (26) no auditório Dante Barone. O presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) defendeu a agregação de valor aos produtos agropecuários para aumentar a presença brasileira no mercado externo. “Os outros países processam as commodities que exportamos e vendem no mercado internacional, ganhando muito mais. Precisamos reverter isso”, conclamou.
Turra traçou um panorama da situação do agronegócio no Brasil da década de 1960 até 2015, ressaltando que o setor obteve grandes avanços. Citou a produção de grãos, que passou de 17 milhões de toneladas em 1960 para 200 milhões de toneladas neste ano e da carne bovina, que saltou de 1,3 milhão de toneladas para 9,8 milhões de toneladas no mesmo período. O setor não cresceu mais, segundo ele, por conta de acordos comerciais ideológicos. “Hoje, o Brasil está aprisionado a acordos com países que representam 2% do PIB mundial. Por conta, disso nossas exportações representam apenas 1,2% das transações comerciais do mundo”, comparou.
Mesmo assim, segundo Turra, o Brasil ocupa a quarta posição no ranking dos países exportadores de produtos agrícolas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, Holanda e Alemanha. Além disso, o País lidera as exportações de açúcar, café, suco de laranja, soja, etanol, carne bovina, frango, peru, milho e suínos.
Ele afirmou, ainda, que as perspectivas são positivas para a exportação. Com base em levantamento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o ex-ministro revelou que, até 2022, a demanda mundial por cereais deverá crescer 15%, por oleaginosas 20%, por carne suína 13%, por carne de aves 19% e por carne bovina 14%.
Organizar a cadeia produtiva
Organizar a cadeia produtiva, com ênfase na pesquisa, na integração entre os setores público e privado, na tecnologia e na busca de qualidade, é o principal desafio da cadeia produtiva do leite. O presidente do Instituto Gaúcho do Leite (IGL), Gilberto Paccinini, alertou que, sem uma ação organizada, induzida pelo Estado e em parceria com o setor privado, haverá uma seleção natural na atividade, promovendo um grande movimento de exclusão de produtores que não tiverem condições de se adequar às novas exigências de mercado.
Hoje, a produção de leite envolve cerca de 200 mil produtores gaúchos, dos quais 85 mil vendem o produto para a indústria, quatro mil comercializam direto para o consumidor e oito mil utilizam o leite para a produção de derivados dentro da propriedade rural. Levantamento realizado pelo IGL, Emater e Famurs revela que 60,7% dos produtores realizam a atividade em local adequado, 29,9% possuem sala de ordenhas, 72,4% possuem resfriadores e apenas 38% contam com aquecimento de água para a higienização dos equipamentos. Há deficiência de mão de obra em 46% das propriedades, reduzida escala de produção em 29,5% e restrições no fornecimento de energia elétrica em 22,8% dos estabelecimentos rurais. “Precisamos superar estes gargalos, aliando tecnologia e qualidade para conquistar o público consumidor”, apontou.
O desafio nos próximos três anos, segundo Piccinini, é expandir a presença no mercado interno em 20% e começar a buscar consumidores fora do País.
Alterar cardápio de ofertas ao mercado internacional 

O presidente da Associação das Indústrias Brasileiras Exportadoras de Carne (ABIEC), Antônio Camerdeli, afirmou que o Rio Grande do Sul precisa “deixar de ser corredor de passagem e se firmar com estado exportador”. Segundo ele, para driblar a crise, é preciso alterar o cardápio de ofertas no mercado internacional. “O Brasil não acessa 40% do mercado que mais remunera, mesmo tendo rebanhos com genética reconhecida e grandes volumes de carne bovina para comercializar. Para se ter uma ideia, o Japão paga US$ 500 mil por um container de língua bovina”, frisou.
Ele ressaltou que, no caso da carne bovina, a conquista de novos mercados depende da sanidade, da qualidade dos produtos e, especialmente, dos acordos internacionais. “Os países em crise ou que estão saindo dela têm se mostrado grandes oportunidades de negócio. Estamos exportando 15 mil toneladas de carne bovina por mês para a China, e a expectativa é de que cheguemos a 200 mil toneladas em 2016”, revelou.
Já o vice-presidente do BRDE, Odacir Klein, falou sobre o financiamento das atividades do agronegócio e da infraestrutura necessária para o escoamento da produção.

Fonte: Agência de Notícias ALRS

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