Audiência pública na AL debate energia elétrica no meio rural

16 jun Audiência pública na AL debate energia elétrica no meio rural

A CoDSCF3316missão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo debateu, nesta segunda-feira (15), na Assembleia Legislativa, a qualidade da energia elétrica no meio rural. Parlamentares e entidades destacaram a necessidade de ampliação dos investimentos no setor. O tema volta ao debate no Parlamento gaúcho em 6 de julho, quando acontece o seminário “Energia, a qualidade que o Brasil precisa”. O representante do Instituto Gaúcho do Leite, o diretor executivo, Ardêmio Heineck, apresentou dados do Relatório Sócioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite, realizado em parceria com Emater/RS e Famurs. A falta de qualidade da energia elétrica foi apresentado como um dos principais gargalos da cadeia leiteira pelos produtores. Heineck sugeriu a autossuficiência energética, com o uso de biodigestores e painéis solares.
“Esta Casa mantém seu foco em relação às discussões envolvendo os grandes temas do Rio Grande do Sul”, afirmou o presidente da Assembleia, deputado Edson Brum (PMDB), na abertura do evento, reafirmando que, entre as pautas da sua gestão, estão justamente os temas da reforma política, hidrovias, ferrovias e estradas e energia elétrica.
O deputado Adolfo Brito (PP), presidente do órgão técnico, destacou que, nas manifestações das representações presentes ao encontro, houve total convergência quanto à necessidade de maiores investimentos para que a energia no meio rural tenha a qualidade esperada pelos agricultores, “para que estes possam desenvolver suas atividades na plenitude, colaborando para o desenvolvimento do Estado. Ele convidou a todos para o seminário “Energia, a qualidade que o Brasil precisa”, que será realizado em 6 de julho, no Teatro Dante Barone da Assembleia.
Solução
Para o proponente da discussão, deputado Elton Weber (PSB), é preciso aumentar os investimentos para qualificar a energia elétrica fornecida aos produtores rurais. Segundo ele, deve haver tratativas junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no sentido de mudanças na legislação sobre o fornecimento de energia elétrica no meio rural. Igualmente, entende, deve ser buscada maior agilidade na liberação de licenças ambientais à obras que envolvam energia elétrica, além de maior rapidez por parte das concessionárias em atender as demandas dos agricultores.
“A qualidade da energia no meio rural afeta milhares de famílias”, concordou o secretário estadual de Agricultura, Ernani Polo, informando que o governo gaúcho, por meio das secretarias, trabalha em conjunto no planejamento para que sejam encontradas formas de superar os gargalos do setor.
Para o secretário de Desenvolvimento Rural, Tarcísio Mineto deve ser construída uma ação conjunta que envolva o poder público, concessionárias de energia e os próprios produtores na solução para a falta de qualidade da energia no meio rural. De sua parte, o secretário-adjunto de Minas e Energia, Artur Lemos Júnior, ressaltou a importância do programa “Luz Para Todos”, desenvolvido pelo governo federal, mas reafirmou a necessidade de se avançar na qualidade da energia fornecida aos agricultores gaúchos. Adiantou que a pasta atua na identificação dos gargalos do setor e as potencialidades de cada região, estabelecendo um plano de ação para enfrentar a questão.
Mais recursos
O deputado Aloísio Classmann (PTB) sublinhou que o tema da qualidade da energia no meio rural é debatido na Casa há anos, mas que é necessário avançar concretamente na melhoria da sua distribuição. Para ele, a boa qualidade da energia fornecida no meio rural aumenta a autoestima dos agricultores e colabora para a sucessão rural. De sua parte, a deputada Zilá Breitenbach (PSDB) também frisou que são necessárias soluções concretas. “Não adianta mais um empurrar para o outro, nós queremos proposições objetivas”, reafirmou. Já o deputado Missionário Volnei (PR) relatou que conhece bem a situação e também cobrou mais investimentos, “uma vez que a energia fornecida atualmente é insuficiente para que os agricultores ampliem os seus negócios e melhores a sua qualidade de vida”.
O presidente executivo da Federação das Cooperativas de Energia, Telefonia e Desenvolvimento Rural do RS (Fecoergs), José Zordan, apresentou um panorama do trabalho desenvolvido pelas cooperativas desde 1941 e observou que elas se destacam pela qualidade do serviço que oferecem, “sendo melhores que aquelas existentes nos Estados Unidos e no Reino Unido”. Já Gustavo Arend, representante da Companhia Estadual de Energia Elétrica (Ceee), sublinhou que a maioria dos usuários do meio rural atendidos pela empresa possuem apenas redes monofásicas e que a empresa tem perspectiva de investimentos de R$ 270 milhões nos anos de 2015, 16 e 17, além de melhorias internas referentes ao atendimento a clientes.
O representante da AES Sul, Leandro Nascimento, também reafirmou que mais da metade da rede operada pela empresa no meio rural é monofásica e que são realizados investimentos na qualificação dos serviços a partir da construção de subestações e manutenção de redes antigas. O presidente em exercício da Agergs, Carlos Martins, reconheceu que, em alguns pontos do Estado, existem sérias deficiências na distribuição de energia, mas que, em parte, este problema se deve não às concessionárias, mas à própria escassez de energia. Disse que deve haver trabalho conjunto com a Aneel na busca de uma política regulatória específica para a energia no meio rural.

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