Seminário do IGL: cerco contra fraudadores do leite vai continuar no RS

11 fev Seminário do IGL: cerco contra fraudadores do leite vai continuar no RS

fiscalização2Subprocurador-geral Marcelo Lemos Dornelles informou que fiscalizações amplas devem ser conduzidas também em outros estados brasileiros

As reclamações de fraude no leite continuam chegando ao Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul e o órgão já está preparando uma nova operação contra quem adultera a matéria-prima. O subprocurador-geral do MP-RS, Marcelo Lemos Dornelles, que nesta quarta-feira (11/2) participou do seminário “Discussão da Cadeia Leiteira Gaúcha na sua Realidade Atual”, realizado pelo Instituto Gaúcho do Leite (IGL), em Porto Alegre (RS), não adiantou, porém, a região ou quando a operação será deflagrada. Durante o evento, que ocorreu no auditório da Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e contou com representantes de toda a cadeia do leite gaúcho, em Porto Alegre, Dornelles disse que as fraudes continuam porque os fraudadores têm a sensação de impunidade, já que as penas são muito brandas e as operações ilegais garantem grandes lucros para as quadrilhas. “Cessar não vão (as fraudes), mas estamos trabalhando em parceria com todas as entidades do setor para que elas diminuam”, afirmou.

O evento do IGL marca um ano da criação da entidade, além de uma bem-sucedida articulação em Brasília, que levou o governo federal a assegurar a compra de 2 mil toneladas de leite em pó do RS. “O IGL tem apenas um ano, mas já duas grandes conquistas: a compra de 2 mil toneladas de leite em pó do RS pelo governo federal e a garantia da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, de agilizar as habilitações das plantas da Cosuel, Cosulati e CCGL com objetivo de exportar para a Rússia”, enfatizou o presidente do IGL, Gilberto Piccinini. O seminário da entidade foi palco de debate amplo dos participantes da cadeia leiteira do Rio Grande do Sul, vislumbrando a resolução de gargalos no médio e longo prazo.

O presidente da Assembleia Legislativa, Edson Brum, disse que a exclusão dos fraudadores é essencial para que a cadeia produtiva do leite gaúcha consiga superar a crise, que já provocou o fechamento de ao menos 12 empresas e ameaça tirar da atividade milhares de produtores. “Essas pessoas maculam aqueles produtores que trabalham de forma séria pela qualidade do leite. Tem muita gente que ainda precisa ser presa”, enfatizou, acrescentando que a questão não envolve apenas economia, mas também um viés social.

O subprocurador-geral Dornelles adiantou que o MP tem recomendado aos Ministérios Públicos de outros estados que articulem com órgãos do governo estadual e federal para que reforcem a fiscalização. E acredita que, se isso for feito, também serão descobertas fraudes. Ele ainda elogiou o trabalho que é feito no Rio Grande do Sul, que deverá servir de exemplo para outros Estados. “A nossa fiscalização é muito mais intensa e de qualidade do que em qualquer outro lugar. Quando as operações forem realizadas nos outros Estados, e tenho que serão feitas, teremos know-how”, acrescentou.

No viés da questão social, há muita preocupação sobre os efeitos da crise para pequenos produtores. O vice-presidente da União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária do RS, Clamir Balem, reclamou que muitos pecuaristas que produzem até 100 litros/dia não estão conseguindo entregar a matéria-prima devido à estratégia de verticalização e exclusão adotada pelas indústrias. “A verticalização da cadeia produtiva do leite está cada vez mais presente, onde os grandes conglomerados econômicos buscam dominar o mercado, com o objetivo claro e único do lucro”, criticou.

Na avaliação do presidente da Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Apil), Wlademir Pedro Dall`Bosco, o processo de verticalização é natural. Segundo ele, as indústrias têm um custo muito alto para buscar leite em propriedades que produzem menos de 100 litros /dia. “Para evitar isso, o IGL propõe o foco na qualidade em todos os elos da cadeia, incluindo o produtor, transporte e indústria. Com isso poderemos pensar em expandir mercados”, pondera o diretor-executivo do IGL, Ardêmio Heineck. Há também que se transpor gargalos de infraestrutura, como energia elétrica precária no interior e estradas de difícil acesso. Outro ponto fundamental proposto no seminário é melhorar o acesso à tecnologia, para que os produtores pequenos possam ampliar e qualificar a produção. Para isso, no Rio Grande do Sul, o IGL está inserido no PAS Leite, programa de transferência de tecnologia coordenado pela Embrapa Gado de leite, que conta ainda com o Ministério da Agricultura, Serviços Nacionais de Aprendizagem Rural (Senar) e Industrial (Senai).

 

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